Por Patrícia Bogéa de Matos, fisioterapeuta, Esp. Microfisioterapia, Leitura Biológica, Terapia Manual, Terapia Cranio Sacral e Psych-k
Sensações de confusão mental, medo e insegurança podem surgir diante de uma sobrecarga de estímulos. Ampliar a percepção e trazer a atenção para o presente pode ser um caminho para compreender e regular essas experiências.
O corpo humano não se limita às funções desempenhadas pelos sistemas e órgãos responsáveis pela manutenção da vida. Além de seu funcionamento fisiológico, o corpo é constantemente atravessado por informações provenientes das experiências individuais e do ambiente em que o indivíduo está inserido.
É nesse contexto que surge o conceito de campo morfogenético, desenvolvido pelo biólogo inglês Rupert Sheldrake a partir da década de 1980. A teoria propõe a existência de campos de informação que poderiam influenciar organismos por meio de uma espécie de memória coletiva. Utilizada para refletir sobre a influência do ambiente e das experiências coletivas sobre o indivíduo.
A percepção humana pode ser compreendida como um processo que envolve não apenas aquilo que acontece internamente, mas os estímulos recebidos do ambiente. Em pessoas mais sensíveis, uma exposição intensa a situações consideradas nocivas ou estressantes pode ser percebida como uma sobrecarga, favorecendo sensações de desorganização, fragilidade, medo e insegurança.
Essa experiência também pode estar relacionada à somatização, quando emoções e conflitos psicológicos se manifestam por meio de sensações ou sintomas corporais. O acúmulo de experiências negativas pode contribuir para a formação de padrões de pensamento repetitivos e intensos, capazes de influenciar comportamentos e respostas emocionais.
Diante de um pensamento intenso, uma das possibilidades é interromper o automatismo e direcionar a atenção para o momento presente. A chamada atenção plena, associada à respiração consciente, ajuda a pessoa a perceber o que está acontecendo internamente antes de reagir de maneira automática.
Respirar de forma consciente, observar as sensações corporais e reconhecer os pensamentos sem necessariamente se identificar com eles são estratégias utilizadas em diferentes práticas de autorregulação emocional. A proposta é criar um espaço entre o estímulo e a resposta, permitindo que a pessoa observe sua experiência com maior clareza.
Nesse processo, o pensamento deixa de ser percebido como uma verdade absoluta e passa a ser compreendido como um fenômeno mental que surge, permanece por algum tempo e pode desaparecer.