PF descarta presença de irmãos de Bacabal entre crianças localizadas nos EUA

Autoridades norte-americanas informaram que não há brasileiros no grupo de 163 menores

Fonte: Redação
Polícia Federal informou que Ágatha e Allan não estão entre as 163 crianças localizadas nos EUA (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal descartou que Ágatha Isabelly Reis Lago, de 6 anos, e Allan Michael Reis Lago, de 4, estejam entre as 163 crianças localizadas recentemente durante uma operação nos Estados Unidos. Os irmãos desapareceram há oito meses na zona rural de Bacabal, no interior do Maranhão.

A confirmação foi divulgada depois que fotografias compartilhadas nas redes sociais alimentaram a suspeita de que uma das crianças encontradas poderia ser Allan. De acordo com a PF, autoridades norte-americanas informaram que nenhum brasileiro integra o grupo localizado na Operação Statewide Shield.

A Polícia Civil do Maranhão também consultou o órgão federal após a circulação das publicações. Segundo o delegado-geral Augusto Barros, não existe pedido de cooperação internacional ou comunicação oficial que relacione os irmãos maranhenses à operação norte-americana.

A informação oficial afasta, portanto, a possibilidade levantada a partir das fotografias, mas não encerra as buscas internacionais por Ágatha e Allan.

Material genético da mãe é coletado

Durante reunião realizada na sede da Polícia Federal, em São Luís, Clarice Cardoso, mãe das crianças, forneceu uma amostra de material genético.

A coleta foi realizada pelo Setor Técnico-Científico da PF. O material será enviado ao Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília, onde será elaborado o perfil genético de Clarice.

Depois de processado, o perfil será inserido no Banco Nacional de Perfis Genéticos e poderá ser utilizado em eventuais comparações solicitadas por meio dos canais de cooperação da Interpol.

A medida não significa que exista confirmação sobre uma criança específica nos Estados Unidos. O procedimento amplia as possibilidades de identificação caso surjam, no Brasil ou em outro país, pessoas com características compatíveis com os irmãos desaparecidos.

A família também pediu que os nomes de Ágatha e Allan sejam incluídos na Difusão Amarela da Interpol, alerta internacional destinado à localização de pessoas desaparecidas. A solicitação ainda será analisada pela Polícia Federal antes de um eventual encaminhamento à organização.

Fotografias despertaram esperança da família

A mobilização começou depois que Clarice teve acesso a imagens de uma criança localizada nos Estados Unidos e percebeu semelhanças com Allan. A mãe citou aspectos da aparência do menino, mas reconheceu que fotografias não seriam suficientes para confirmar uma identificação.

A advogada Nathaly Moraes, representante da família, também destacou que qualquer conclusão dependeria de exames genéticos e de informações oficiais fornecidas pelas autoridades norte-americanas.

“Eu sempre falei nas minhas entrevistas que coração de mãe não engana. O meu sempre diz que meus filhos estão vivos”, afirmou Clarice.

Desaparecimento completa oito meses

Ágatha e Allan desapareceram no dia 4 de janeiro de 2026, após saírem para brincar nas proximidades da comunidade quilombola São Sebastião dos Pretos, em Bacabal.

Eles estavam acompanhados do primo Anderson Kauã, de 8 anos, encontrado com vida três dias depois em uma estrada vicinal. O menino relatou que o grupo entrou em uma área de mata e se perdeu.

Buscas foram realizadas por policiais, bombeiros, militares da Marinha e voluntários. Cães farejadores identificaram vestígios da passagem das crianças por uma casa abandonada perto do Rio Mearim, mas nenhum outro indício conclusivo sobre o paradeiro dos irmãos foi encontrado.

A Polícia Civil mantém a investigação, enquanto a família tenta ampliar a divulgação do desaparecimento e acionar mecanismos internacionais de localização.

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