Maranhão entra na rota de cabos submarinos com conexão em São Luís

São Luís terá conexão própria à rede internacional da EllaLink, ampliando a infraestrutura digital e a capacidade de transmissão de dados

Fonte: Da redação

O Maranhão está entrando na rota internacional dos cabos submarinos de telecomunicações com um projeto que prevê um ponto próprio de conexão em São Luís. A nova infraestrutura permitirá ao estado acessar diretamente uma rede de alta capacidade ligada a Fortaleza, Caiena, na Guiana Francesa, e à Europa, ampliando as possibilidades para conectividade, serviços digitais, data centers e atração de investimentos.

A EllaLink, responsável pelo sistema que conecta diretamente a América Latina à Europa, já instalou no fundo do oceano a unidade de derivação destinada ao futuro ramal maranhense. O equipamento foi colocado a 3.690 metros de profundidade e permitirá que a rede seja estendida até São Luís.

Para o governador Carlos Brandão, o projeto se soma aos investimentos que o Maranhão vem realizando em conectividade de alta velocidade, infraestrutura de fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital.

“Estamos construindo um Maranhão cada vez mais conectado, com infraestrutura de alta velocidade, fibra óptica, cibersegurança, data centers e inclusão digital. Essa estratégia amplia nossa infraestrutura tecnológica e cria condições para atrair novos investimentos”, afirmou o governador ao tratar da iniciativa.

A chegada de uma conexão submarina própria também representa uma mudança na estrutura utilizada pelo Maranhão para acessar redes internacionais. Segundo a EllaLink, Maranhão e Pará dependem historicamente de longas rotas terrestres até os principais pontos brasileiros de comunicação internacional.

Com o ramal, São Luís passa a integrar uma infraestrutura que hoje tem forte concentração em Fortaleza. A capital cearense reúne 16 cabos submarinos e se consolidou como um dos principais pontos de conexão do Brasil com redes internacionais de telecomunicações.

A conexão maranhense está sendo desenvolvida pela EllaLink em parceria com a Agência Estadual de Tecnologia da Informação do Maranhão (ATI), em nome do governo estadual. Outro ramal será direcionado a Salinópolis, no Pará.

Juntas, as conexões destinadas aos dois estados terão capacidade inicial prevista de 17 terabits por segundo (Tbps), equivalente, em capacidade teórica, a aproximadamente 34 mil conexões residenciais de 500 Mbps funcionando simultaneamente. A capacidade poderá ser ampliada posteriormente.

Além do volume de transmissão, o modelo estabelece que Maranhão e Pará terão controle sobre a capacidade transportada pelos respectivos ramais. A EllaLink será responsável pelo projeto, construção e operação inicial das conexões e, posteriormente, transferirá a propriedade da infraestrutura aos clientes estaduais, que poderão inclusive comercializar essa capacidade.

A estrutura poderá atender tanto demandas governamentais quanto projetos de expansão da economia digital. Entre as possibilidades estão o fortalecimento da infraestrutura necessária para data centers, serviços de nuvem, telecomunicações e atividades que dependem de transmissão de grandes volumes de dados.

O programa também prevê utilizar a capacidade instalada para ampliar a banda larga em comunidades isoladas e fortalecer serviços públicos digitais nas áreas de saúde, educação e governo eletrônico.

Outra aplicação prevista é o uso de sensores SMART na infraestrutura submarina. Os equipamentos poderão coletar dados ambientais e sísmicos para iniciativas científicas e de monitoramento climático, com apoio da União Europeia.

A EllaLink já concluiu o estudo das rotas dos ramais, contemplando os trajetos marítimos e os pontos de chegada em terra, além de trabalhos preliminares relacionados a licenciamento, avaliações ambientais e engenharia. A continuidade da implantação envolve a conclusão das etapas de financiamento e o levantamento marítimo.

As unidades de derivação destinadas ao Maranhão e ao Pará foram financiadas pelos governos estaduais com recursos não reembolsáveis da União Europeia. Os dois ramais fazem parte do componente brasileiro do projeto Mais Conectado, direcionado à região amazônica e com previsão de cofinanciamento do Grupo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Grupo Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD).

A estrutura foi instalada durante a implantação do Lum@link, extensão submarina de aproximadamente 2.100 quilômetros que conecta Caiena ao sistema da EllaLink nas proximidades de Fortaleza. A previsão é que o sistema entre em operação até o fim de 2026, estabelecendo uma ligação óptica direta entre Caiena, Fortaleza e Sines, em Portugal.

Com o ramal de São Luís, o Maranhão amplia sua participação na infraestrutura internacional de telecomunicações e ganha uma nova estrutura para sustentar a expansão da conectividade, dos serviços digitais e de atividades econômicas que demandam redes de alta capacidade.

Publicidade