
As publicações feitas por Rafaella Cabral nos dias anteriores à sua morte passaram a integrar a investigação conduzida pela Polícia Civil do Piauí. A jovem, conhecida pelo trabalho como blogueira, foi assassinada a tiros no domingo (20), dentro do Clube dos Engenheiros, na região do bairro Satélite, zona Leste de Teresina.
A polícia procura esclarecer se o ataque está relacionado a ameaças relatadas pela vítima e ao vazamento de fotografias e informações pessoais. Os investigadores também apuram possíveis conflitos envolvendo os antigos relacionamentos de Rafaella.
As linhas de investigação ainda são preliminares. Até o momento, as autoridades não anunciaram a identificação do autor dos disparos nem confirmaram a motivação do crime.
Ex-companheiro é citado nas apurações
Rafaella teria usado as redes sociais para publicar mensagens indiretas sobre ameaças e expor informações relacionadas ao suposto envolvimento do ex-companheiro Rômulo Raphael dos Santos Morais com atividades criminosas.
Informações iniciais indicam que Rômulo estaria fora do país, mas teria retornado clandestinamente a Teresina. Também é atribuída a ele a divulgação de imagens e dados sobre Rafaella. Essas versões, contudo, ainda não foram confirmadas oficialmente.
Rafaella e Rômulo tiveram uma filha. Os desentendimentos entre os dois teriam se intensificado depois que o homem iniciou um novo relacionamento.
Antigo namorado foi assassinado em 2025
Antes do relacionamento com Rômulo, Rafaella havia se relacionado com Jad Rubens, pai de seu outro filho. O homem, de 29 anos, foi sequestrado e morto em janeiro de 2025.
O corpo de Jad foi encontrado nas proximidades do Rodoanel, na zona Sul de Teresina. Ele havia sido levado por criminosos durante um baile de reggae realizado no bairro Vila Dagmar Mazza.
Na época, a investigação indicou que o assassinato poderia ter sido motivado por uma dívida de aproximadamente R$ 30 mil relacionada ao tráfico de drogas. Jad era apontado pela polícia como uma liderança da Família do Norte e como responsável pela negociação de entorpecentes entre Manaus e Teresina.
Durante a apuração daquele crime, seis pessoas foram identificadas:
- Jorge Luis de Sousa da Silva;
- Alison André de Moura Oliveira, o “Careca”;
- Raifran Machado de Araújo;
- Rômulo Raphael dos Santos Morais;
- Francisca Patricia Rocha de Freitas;
- Douglas Clayton Pereira de Moura.
O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa apontou que Rômulo e Jad mantinham uma rivalidade pessoal que também teria relação com Rafaella. Os investigadores buscam saber se esse histórico ajuda a explicar o ataque ocorrido no clube.
Crime teria sido antecedido por discussão
Relatos ainda não confirmados oficialmente indicam que houve um desentendimento no Clube dos Engenheiros pouco antes dos tiros. Rafaella foi atingida e morreu no local.
Equipes policiais isolaram a área para a realização dos exames periciais. O corpo foi posteriormente encaminhado ao Instituto Médico Legal de Teresina.
A investigação deverá reunir depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras de segurança e conteúdos publicados ou recebidos pela vítima nas redes sociais. Nenhuma prisão relacionada ao homicídio havia sido anunciada.
Rafaella conciliava diferentes atividades
Rafaella Cabral tinha mais de 8 mil seguidores no Instagram. Em seu perfil, compartilhava ensaios fotográficos, aulas de jiu-jítsu e outros momentos da rotina.
Ela se apresentava como professora de kitesurf, estudante de Direito e massoterapeuta. Rafaella deixou dois filhos.