
Nove municípios do Maranhão estão no centro de uma operação da Polícia Federal contra um esquema suspeito de utilizar laudos médicos e vínculos empregatícios falsos para obter benefícios previdenciários por incapacidade temporária. Deflagrada nesta terça-feira (22), a Operação Laudo Cego investiga 172 benefícios considerados potencialmente fraudulentos e um prejuízo estimado em R$ 6,57 milhões aos cofres públicos.
No estado, os mandados são cumpridos em São Luís, Paço do Lumiar, São José de Ribamar, Pinheiro, Santa Helena, Palmeirândia, Presidente Sarney, Presidente Juscelino e Brejo. A ofensiva também alcança municípios do Rio Grande do Sul, São Paulo, Pará, Piauí e Ceará.
Ao todo, cerca de 150 policiais federais participam do cumprimento de 39 mandados de busca e apreensão. A Justiça também autorizou o afastamento dos sigilos bancário e fiscal de investigados, determinou a proibição de contato entre eles e estabeleceu medidas de constrição de bens e valores.
Segundo a investigação, essas últimas medidas buscam preservar recursos que poderão ser utilizados para ressarcir os cofres públicos caso os prejuízos sejam confirmados ao final das apurações.
A suspeita é de que o grupo funcionasse a partir de diferentes núcleos, cada um responsável por uma etapa necessária à obtenção irregular dos benefícios. Servidores públicos, profissionais da saúde, contadores, empresários e intermediários estão entre os perfis investigados pela Polícia Federal.
As apurações abrangem a possível emissão de laudos médicos falsos, criação de relações de emprego fictícias e inclusão de informações fraudulentas nos sistemas previdenciários. A PF também apura o recrutamento de pessoas para receber os benefícios e a posterior movimentação do dinheiro obtido.
A inteligência previdenciária estima em aproximadamente R$ 6,57 milhões o impacto dos 172 benefícios sob suspeita. Com a interrupção dos pagamentos considerados indevidos, a projeção é impedir outros R$ 1,01 milhão em possíveis perdas.
A Operação Laudo Cego é resultado do avanço de uma investigação iniciada anteriormente no Maranhão. O trabalho deriva da Operação Camisaria, realizada em setembro de 2024. A análise dos materiais apreendidos naquela fase, somada a novas diligências, indicou a possível existência de uma estrutura organizada para viabilizar concessões indevidas de benefícios.
A ação desta terça-feira é coordenada pela Polícia Federal e integra a Força-Tarefa Previdenciária, com participação da Coordenação-Geral de Inteligência da Previdência Social, vinculada ao Ministério da Previdência Social.
Embora a maior concentração territorial da operação esteja no Maranhão, mandados também são cumpridos em Santa Rosa, no Rio Grande do Sul; Cotia, em São Paulo; Parauapebas, no Pará; Parnaíba, no Piauí; e Ubajara, no Ceará.
As responsabilidades individuais ainda são investigadas. Conforme a participação eventualmente identificada, os envolvidos poderão responder por estelionato previdenciário, falsificação de documento público, inserção de dados falsos em sistema de informações, organização criminosa e lavagem de dinheiro.