
O Maranhão ganhou mais de 240 mil donos de negócios em cinco anos e registrou a maior expansão do empreendedorismo entre os estados brasileiros. Dados do Sebrae mostram que o contingente passou de 750.761 no quarto trimestre de 2020 para 991.307 no mesmo período de 2025, crescimento de 32%.
O avanço coloca o estado à frente de todas as demais unidades da Federação no período analisado. Depois do Maranhão aparece Alagoas, onde o número de empreendedores aumentou 30,8%. Bahia e São Paulo registraram alta de 25,9% cada.
Apesar da expansão, os dados também revelam um desafio relacionado à renda gerada pelos negócios. O Maranhão possui a maior proporção de empreendedores de baixa renda do país: 89% dos donos de negócios recebem até dois salários mínimos por mês.
Isso significa que o estado combina o maior crescimento no número de empreendedores com a maior participação de pessoas de baixa renda nesse universo. Depois do Maranhão, os maiores percentuais são encontrados no Amazonas, com 87%, e no Pará, com 86%.
A concentração desse perfil é maior nas regiões Norte e Nordeste. Em 12 estados brasileiros, pelo menos 80% dos empreendedores recebem até dois salários mínimos mensais, e todos estão localizados nessas duas regiões.
O levantamento também evidencia diferenças no perfil do empreendedorismo entre as regiões brasileiras. Norte e Nordeste concentram os menores índices de formalização e as maiores proporções de donos de negócios enquadrados como de baixa renda.
O cenário é diferente no Sul. Santa Catarina possui a menor participação de empreendedores nessa faixa de rendimento, com 45%. Paraná aparece com 52% e Rio Grande do Sul, com 53%. Os estados sulistas também apresentam taxas de formalização mais elevadas.
Enquanto o Maranhão liderou a expansão nacional entre 2020 e 2025, quatro estados encerraram o período com menos empreendedores. A maior redução ocorreu no Acre, onde o contingente caiu de 101.477 para 72.209, recuo de 28,8%.
Sergipe registrou redução de 6,9%, enquanto a Paraíba teve queda de 4%. Em Pernambuco, a diminuição foi de 0,9%.
Os números do Sebrae mostram, portanto, duas características simultâneas do mercado maranhense. De um lado, o estado adicionou cerca de 240,5 mil donos de negócios em cinco anos e apresentou a maior expansão percentual do país. De outro, permanece com a maior concentração nacional de empreendedores que recebem até dois salários mínimos mensais.