
Um projeto desenvolvido na zona rural de São Luís colocou a agricultora Claudete Pereira de Oliveira entre as finalistas nacionais do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026. Moradora da comunidade do Cajupary, ela disputará a categoria Produtora Rural e Artesã na etapa marcada para 17 de novembro, em Vitória, no Espírito Santo.
Conhecida como Gorda na comunidade, Claudete está à frente do Sítio Aconchego da Gorda, propriedade que reúne agricultura familiar, produção de ovos, plantas medicinais, sustentabilidade e turismo. As iniciativas desenvolvidas no local também envolvem outras famílias e 20 mulheres da região em atividades de produção, capacitação e geração de renda.
Claudete chegou ao Cajupary há 16 anos e começou a estruturar um projeto que não se limitasse à própria propriedade. A proposta era aproximar moradores que também trabalhavam com a terra e criar oportunidades a partir das características e habilidades de cada participante.
“Quando eu cheguei aqui, eu já cheguei com esse sonho de trabalhar não só a minha terra, mas de fazer com que outras pessoas que tivessem uma área como a minha e que gostassem de trabalhar com a terra pudessem se unir e fazer um trabalho junto”, relata.
Uma das frentes desenvolvidas foi o turismo comunitário. O Sítio Aconchego da Gorda integra a Rota do Cuxá com Jussara, iniciativa na qual as propriedades participantes trabalham com atividades diferentes. A ideia é permitir que os visitantes conheçam experiências variadas dentro da própria comunidade.
“Cada sítio tem uma especialidade. Um trabalha com farinha, outro com peixe, outro com uma atividade diferente. Quando o turismo vier, eu não quero que ele vá a um sítio e encontre a mesma coisa no outro. Cada um precisa ter o seu nicho”, explica Claudete.
O projeto também avançou para o turismo pedagógico, com visitas de estudantes realizadas em parceria com a Universidade Estadual do Maranhão (Uema), além da participação na Rota do Turismo 50+. A atividade passou a funcionar como uma forma de apresentar a produção rural, os conhecimentos locais e as práticas adotadas pelas famílias.
No campo da sustentabilidade, o sítio utiliza energia solar e cultivo consorciado, além de organizar a produção de acordo com as características da terra e os períodos do ano. A propriedade também trabalha na estruturação do beneficiamento de ovos e no processamento de plantas medicinais.
Para essas atividades, o espaço conta com equipamentos como desidratador, destilador de óleos essenciais, triturador e materiais destinados à embalagem. A intenção é agregar etapas à produção e, ao mesmo tempo, transformar o sítio em um ambiente de demonstração e aprendizado.
“A gente quer que as pessoas possam vir aqui, conhecer e acompanhar como tudo é feito, desde a produção até a transformação dos produtos. É uma forma de mostrar o nosso trabalho e também ensinar”, afirma.
A participação das mulheres da comunidade é organizada conforme as habilidades e os interesses de cada uma. Para Claudete, essa identificação com a atividade é importante para a continuidade das iniciativas. “Não adianta você não ter afinidade com aquela coisa e querer aderir ao projeto. Só dá resultado quando você gosta de fazer aquilo”, diz.
A classificação de Claudete ocorre em uma edição na qual o Maranhão registrou 650 inscrições no Prêmio Sebrae Mulher de Negócios, aumento de 48% em relação à edição anterior. O estado teve o maior número de candidaturas do Nordeste e ficou na terceira posição nacional em inscrições.
Segundo Reijane Almeida, gestora estadual de Empreendedorismo Feminino do Sebrae Maranhão, duas empreendedoras maranhenses chegaram à etapa nacional em 2026. Para ela, a participação amplia a visibilidade de negócios conduzidos por mulheres e de iniciativas que também geram oportunidades nas comunidades onde estão inseridas.
Para Claudete, a chegada à final representa uma etapa de um projeto construído gradualmente no Cajupary. A agricultora afirma que pretende usar a própria trajetória para incentivar outras mulheres a retomarem projetos e iniciativas que não conseguiram desenvolver anteriormente.
“Meu sonho é ver não só a minha comunidade, mas todas as comunidades que têm mulheres empreendedoras como eu, que por um momento deixaram de acreditar nos seus sonhos”, afirma.
A definição das vencedoras nacionais do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026 ocorrerá durante a etapa de 17 de novembro, em Vitória.