
O MDB do Maranhão deve manter o apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, mesmo diante da articulação de parte da legenda para apoiar Flávio Bolsonaro (PL). A posição está alinhada ao grupo político do governador Carlos Brandão (MDB), que já manifestou publicamente sua preferência por Lula. Nacionalmente, 17 dos 27 diretórios do MDB acertaram apoio ao candidato do PL, com anúncio oficial previsto para a próxima terça-feira (13).
A movimentação é liderada pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), que trabalha para ampliar a adesão de dirigentes estaduais à candidatura de Flávio Bolsonaro. As negociações envolvem também o presidente nacional do partido, deputado federal Baleia Rossi (SP), e o governador paulista, Tarcísio de Freitas (Republicanos).
Apesar do avanço das articulações, o MDB não deverá adotar uma posição única em todo o país. A legenda decidiu anteriormente liberar seus diretórios estaduais para definir os apoios presidenciais conforme as alianças e os interesses políticos de cada região.
No Maranhão, a tendência de permanência no campo de Lula acompanha o posicionamento do governador Carlos Brandão. Em agosto, ao comentar a neutralidade nacional do MDB, o governador declarou que sua preferência era pelo presidente e ressaltou o alinhamento político de seu grupo com o petista.
Outros diretórios ligados ao governo federal também devem permanecer fora da articulação favorável a Flávio Bolsonaro. Entre eles estão os de Alagoas, sob influência da família Calheiros, e do Pará, ligado à família Barbalho.
Em entrevista à Rádio Eldorado, na quinta-feira (8), Ricardo Nunes reconheceu as particularidades dos 27 diretórios do MDB, mas defendeu que a legenda assuma sua responsabilidade política no segundo turno. Segundo o prefeito, caberá a Baleia Rossi coordenar a formalização do apoio das seções estaduais favoráveis ao candidato do PL.
A adesão de parte do MDB integra a estratégia de Flávio Bolsonaro para ampliar sua base política na disputa contra Lula. O candidato já recebeu o apoio de União Brasil, Republicanos, Progressistas, Novo e Podemos.
O PSD, por sua vez, optou pela neutralidade nacional, embora o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, derrotado no primeiro turno, tenha anunciado apoio ao senador.
A divisão do MDB evidencia as diferenças regionais da legenda, que reúne tanto aliados do governo Lula quanto lideranças próximas ao campo bolsonarista. No Maranhão, a expectativa é de manutenção da aliança com o presidente, mesmo que a maioria dos diretórios emedebistas siga em direção oposta.