Operação Quíron afasta delegado e apura suspeitas de crimes em unidades policiais do Maranhão

Em pronunciamento, Brito Júnior negou ter sido preso e levantou hipótese de perseguição

Fonte: Redação
Delegado Brito Júnior foi afastado das funções por 90 dias (Foto: Divulgação)

Suspeitas de crimes contra a administração pública motivaram a Operação Quíron, deflagrada pela Polícia Civil do Maranhão nesta quarta-feira (14), em Grajaú e Barra do Corda. A ação resultou no afastamento do delegado regional Cleosnaldo Brito Sirqueira Júnior, conhecido como Brito Júnior, no cumprimento de quatro mandados de busca e apreensão e na prisão em flagrante de um caseiro.

Coordenada pela Superintendência Estadual de Prevenção e Combate à Corrupção (SECCOR), a investigação apura possíveis práticas de peculato, concussão, fraude processual, falsidade ideológica e associação criminosa. Cinco pessoas estão entre os alvos.

O inquérito foi aberto após requisição do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do Ministério Público do Maranhão, que recebeu uma denúncia sobre os fatos. As medidas judiciais foram autorizadas pela juíza Bruna Fernanda Oliveira da Costa, da Comarca de Grajaú.

Buscas alcançaram delegacias e imóveis

Com apoio do Grupo de Resposta Tática (GRT) da Superintendência Estadual de Investigações Criminais (SEIC), os agentes realizaram buscas na Delegacia Regional de Barra do Corda e na residência de Brito Júnior.

Em Grajaú, as equipes estiveram na delegacia e em um sítio pertencente ao pai do delegado. Nesse imóvel, foram encontradas uma arma de fogo e munições.

Charles Aminde Silveira dos Santos, que trabalha como caseiro no sítio, foi preso em flagrante por suspeita de porte ilegal de arma de fogo. Celulares e computadores também foram apreendidos durante a operação e serão analisados pelos investigadores.

Delegacia Regional terá comando interino

A decisão judicial afastou Brito Júnior das funções por 90 dias, determinou o recolhimento de sua arma e proibiu sua aproximação da delegacia e dos demais investigados.

Durante esse período, o delegado Eduardo Galvão, titular do 1º Distrito Policial de Barra do Corda, responderá interinamente pela Delegacia Regional.

O delegado-geral da Polícia Civil, Augusto Barros, afirmou que suspeitas envolvendo integrantes da instituição devem ser investigadas com o mesmo rigor aplicado aos demais casos. A secretária de Segurança Pública, coronel Augusta Andrade, também defendeu a apuração independente e o respeito às garantias legais.

Brito Júnior contesta denúncia e fala em perseguição

Em manifestação divulgada nesta quarta-feira, Brito Júnior afirmou que não foi preso e que ainda não havia conseguido acessar os autos. Disse respeitar a decisão judicial, mas questionou as circunstâncias da investigação e levantou a possibilidade de perseguição.

Segundo o delegado, os fatos sob apuração já teriam sido justificados e comprovados. Ele informou que procuraria seu advogado e demonstrou confiança de que poderá esclarecer o caso.

Durante o pronunciamento, Brito Júnior atribuiu a denúncia a um colega com quem afirmou manter um conflito pessoal. Relatou que esse delegado teria tentado sacar uma arma contra ele no ano passado e alegou que não foi ouvido pelas autoridades naquela ocasião.

As acusações feitas por Brito Júnior contra o colega não foram confirmadas de forma independente.

Investigação permanece em andamento

O nome Quíron faz referência ao centauro da mitologia grega associado à sabedoria e à cura. Segundo a Polícia Civil, a escolha simboliza a identificação e a correção de possíveis irregularidades dentro da instituição.

A SECCOR segue responsável pela apuração. As suspeitas investigadas ainda não representam uma conclusão sobre a responsabilidade dos envolvidos.

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