A disputa presidencial entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) colocou o Maranhão e outros três estados no centro das estratégias eleitorais para o segundo turno, marcado para domingo (25). A região conhecida como Matopiba, que abrange áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, passou a ser considerada pelas campanhas um território estratégico para a conquista de votos, especialmente pela combinação entre a expansão do agronegócio e a presença de uma população atendida por programas sociais.
Com aproximadamente seis milhões de habitantes, o Matopiba reúne características econômicas e sociais distintas. A região concentra uma das principais frentes de expansão agrícola do país, com destaque para a produção de soja e milho e para a pecuária, ao mesmo tempo em que possui municípios onde os benefícios sociais representam uma importante fonte de renda para parte da população.
Essa composição tem influência nas estratégias adotadas pelos candidatos. Enquanto Flávio Bolsonaro procura ampliar sua votação em áreas de maior presença do agronegócio, Lula busca recuperar o apoio de eleitores e reforçar sua presença nos municípios onde as políticas sociais e os programas de incentivo à agricultura familiar têm maior relevância.
No primeiro turno das eleições de 2026, Flávio Bolsonaro venceu no Tocantins, enquanto Lula obteve mais votos no Maranhão, no Piauí e na Bahia. Apesar da vantagem do presidente nos três estados nordestinos, o desempenho do petista no Maranhão foi o mais fraco entre os estados da Região Nordeste, circunstância que passou a receber atenção especial de sua campanha.
A importância eleitoral do Matopiba também está relacionada ao resultado da disputa presidencial de 2022. Naquele ano, a votação obtida por Lula na região contribuiu para a vantagem nacional que garantiu sua vitória sobre o então presidente Jair Bolsonaro. Agora, as duas campanhas avaliam a possibilidade de conquistar novos eleitores nesse território, diante da disputa pelo Palácio do Planalto.
A movimentação do eleitorado ligado ao agronegócio é um dos fatores observados pelas equipes dos candidatos. Segundo análise publicada pelo jornalista Gustavo Uribe, da CNN Brasil, Flávio Bolsonaro ampliou seu desempenho em relação ao obtido por Jair Bolsonaro em 2022 na maioria dos municípios da região cuja principal atividade econômica é a agricultura.
Esse avanço ajuda a explicar a atenção dedicada pelo candidato do PL às áreas produtoras, onde questões relacionadas ao financiamento rural, aos custos da produção e às perspectivas do setor agropecuário têm peso no debate político.
Do lado do presidente Lula, a estratégia envolve recuperar votos em localidades onde houve redução de seu desempenho eleitoral. A viagem realizada pelo petista ao Maranhão durante a campanha do segundo turno integra esse esforço de aproximação com o eleitorado da região.
A expectativa da campanha presidencial do PT também é utilizar o debate sobre políticas voltadas ao campo para disputar o apoio dos produtores rurais. Entre os temas previstos para a reta final estão o acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, os programas de refinanciamento de dívidas agrárias e as iniciativas federais de apoio à agricultura familiar.
A abordagem desses assuntos busca alcançar diferentes segmentos da população rural, desde agricultores familiares até produtores vinculados às cadeias de exportação. No Matopiba, a expansão da atividade agropecuária convive com realidades econômicas bastante distintas, o que torna a região um espaço de disputa entre propostas direcionadas ao desenvolvimento agrícola e à proteção social.
Para o Maranhão, a atenção das campanhas ocorre em um contexto no qual o estado apresenta características tanto da economia nordestina quanto da nova fronteira agrícola brasileira. Municípios do sul maranhense integram a área de expansão do agronegócio, enquanto outras regiões possuem maior dependência de atividades tradicionais e de transferências de renda.
A avaliação das campanhas é que mudanças na distribuição dos votos nesses municípios podem influenciar o resultado nacional, sobretudo em uma disputa na qual cada candidato procura ampliar sua votação para além dos grupos que tradicionalmente o apoiam.