Diesel sobe 8% e terá novo aumento em 2027

Preço médio do diesel chega a R$ 6,99 por litro no Brasil. Governo mantém subsídio de R$ 2,12, mas imposto estadual terá reajuste em 2027

Fonte: Da redação

O preço do diesel continua avançando nos postos brasileiros, apesar dos bilhões de reais destinados pelo governo federal para reduzir os efeitos da alta internacional do petróleo. Desde o início de setembro, o combustível acumula valorização de até 8%, movimento que pode ganhar novo impulso em fevereiro de 2027, quando entrará em vigor um aumento de 11,1% no ICMS cobrado sobre o produto.

Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do diesel comum passou de R$ 6,47 por litro, na semana de 30 de agosto a 5 de setembro, para R$ 6,99 entre os dias 18 e 24 de outubro. A diferença de R$ 0,52 representa uma elevação de 8,04% em aproximadamente sete semanas.

O diesel S10, utilizado principalmente por veículos mais modernos, também ficou mais caro. No mesmo intervalo, o preço médio nacional subiu de R$ 6,88 para R$ 7,32 por litro, avanço de 6,4%.

A escalada ocorre em meio à instabilidade no mercado internacional de energia, provocada pelo prolongamento dos conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. O barril do petróleo Brent, referência mundial de preços, foi negociado entre US$ 100 e US$ 106 na primeira quinzena de outubro e alcançou US$ 113,17 no dia 22.

As tensões no Oriente Médio afetam especialmente as expectativas de abastecimento global. O Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte marítimo de petróleo, esteve no centro das preocupações desde o agravamento do conflito envolvendo o Irã. Nesta semana, o diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou não esperar que o mercado energético retorne, em 2027, às condições anteriores à crise.

Para tentar limitar os repasses aos consumidores, o governo brasileiro mantém uma subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel rodoviário destinada a produtores e importadores. A medida, prorrogada por mais 30 dias nesta semana, tem custo estimado de R$ 10,5 bilhões por mês.

O benefício foi ampliado ao longo de 2026, acompanhando o agravamento das pressões externas sobre os combustíveis. Mesmo assim, a trajetória recente dos preços indica que a subvenção não foi suficiente para impedir novos reajustes nas bombas.

Além da cotação internacional do petróleo, outro fator poderá influenciar os preços no próximo ano. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou nesta quarta-feira (28) a atualização das alíquotas do ICMS sobre combustíveis, com vigência a partir de 1º de fevereiro de 2027.

No caso do diesel, o imposto estadual passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, acréscimo de R$ 0,13. A elevação de 11,1% é a maior entre os combustíveis contemplados pela decisão. A gasolina terá reajuste de 4,5%, enquanto o gás de cozinha sofrerá aumento de 4,8% na tributação.

O ICMS sobre combustíveis é cobrado em valores fixos por litro ou quilo, e não como percentual do preço final. Por isso, a alta de 11,1% representa a variação da carga tributária específica do diesel, não um reajuste automático da mesma proporção nas bombas.

O encarecimento do combustível tem efeitos que ultrapassam o setor de transportes. Como o diesel é amplamente utilizado pelos caminhões responsáveis pela distribuição de mercadorias no Brasil, aumentos persistentes podem elevar os custos do frete e pressionar os preços de alimentos, produtos industrializados e outros bens de consumo.

A perspectiva de continuidade dos preços internacionais elevados também aumenta a importância das decisões sobre os subsídios federais. A manutenção do benefício exige recursos públicos, enquanto uma eventual redução poderá ampliar a exposição do mercado doméstico às oscilações do petróleo.

Em comunicado sobre o reajuste do ICMS, os representantes das secretarias estaduais de Fazenda informaram que acompanham a instabilidade internacional e avaliam medidas relacionadas à atualização dos valores cobrados sobre o diesel. Até o momento, porém, permanece confirmado o aumento previsto para fevereiro de 2027.

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