
O Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) concluiu, nesta sexta-feira (9), as oitivas dos 21 investigados que permanecem presos no âmbito da Operação Tântalo II, deflagrada para apurar um suposto esquema de desvio de recursos públicos no município de Turilândia. Os depoimentos ocorreram ao longo da semana na sede do Gaeco e também por videoconferência.
As audiências tiveram início na segunda-feira (5) e reuniram investigados acompanhados de advogados. Entre os primeiros a prestar esclarecimentos estiveram um médico, servidores ligados aos setores de compras e licitações, empresários e a ex-vice-prefeita do município. Alguns depoimentos foram remarcados a pedido das defesas e realizados apenas nesta sexta-feira.
Na terça-feira (6), compareceram o prefeito Paulo Curió e a primeira-dama Eva Maria Oliveira Cutrim Dantas, cujas oitivas também foram adiadas. Já na quarta-feira (7), foram ouvidos outros investigados ligados ao núcleo empresarial. Na quinta-feira (8), vereadores do município prestaram depoimento à Promotoria de Justiça da Comarca de Santa Helena, por meio de videoconferência.
De acordo com o Ministério Público do Maranhão, com exceção de uma das investigadas, que respondeu parcialmente aos questionamentos, a maioria optou por exercer o direito constitucional de permanecer em silêncio. Com o encerramento dessa etapa, o Gaeco passa agora à análise do material apreendido, das provas reunidas e das demais medidas cautelares autorizadas pelo Judiciário, para concluir o Processo de Investigação Criminal (PIC) e avaliar o eventual oferecimento de denúncia.
Esquema teria desviado mais de R$ 56 milhões
Segundo o Ministério Público, a investigação aponta a existência de uma organização criminosa estruturada, formada por gestores públicos, empresários, servidores e parlamentares, responsável pelo desvio de mais de R$ 56 milhões dos cofres municipais. O esquema teria atuado de forma coordenada dentro da Prefeitura e da Câmara Municipal, especialmente em contratos nas áreas de Saúde e Assistência Social.
As apurações indicam que o prefeito Paulo Curió teria exercido papel central no grupo, com atuação direta na ordenação de despesas, direcionamento de licitações e autorização de pagamentos sem comprovação da prestação dos serviços. A ex-vice-prefeita Janaina Soares Lima é apontada como integrante do núcleo empresarial, com controle de empresas beneficiadas por contratos públicos milionários.
O inquérito também descreve a atuação de um contador como operador financeiro do esquema, responsável pela criação de empresas de fachada, movimentação dos recursos e distribuição de valores entre os envolvidos. Entre as empresas citadas estão Posto Turi, Luminer Serviços, Climatech Refrigeração, SP Freitas Júnior, JEC Empreendimentos e Potencial Empreendimentos.
A investigação alcança ainda a Câmara Municipal, onde vereadores teriam recebido pagamentos para apoiar o Executivo e evitar ações de fiscalização. Buscas e apreensões foram autorizadas pela Justiça em gabinetes parlamentares para coleta de documentos e registros financeiros.
As prisões preventivas do prefeito, da primeira-dama, da ex-vice-prefeita e de outros investigados foram mantidas após audiência de custódia realizada no dia 24 de dezembro, em São Luís. A reportagem procurou as defesas dos citados, mas não obteve retorno até a última atualização.