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Caso dos irmãos desaparecidos em Bacabal completa duas semanas e ganha destaque no Fantástico

Programa mostrou o drama da família, os avanços da investigação e a força-tarefa que mobiliza centenas de pessoas.

Fonte: Redação / Fantástico
Irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, estão desaparecidos há duas semanas (Foto: Reprodução)

O desaparecimento dos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, no município de Bacabal, no interior do Maranhão, completou duas semanas e ganhou repercussão nacional após ser destaque do Fantástico, exibido neste domingo (18). A reportagem acompanhou de perto o trabalho das equipes de busca e expôs o drama vivido pela família e pelos moradores do Quilombo de São Sebastião dos Pretos, onde vivem cerca de 250 pessoas.

Na comunidade, a rua sempre foi considerada uma extensão da casa. Foi nesse ambiente de convivência coletiva que as crianças desapareceram no dia 4 de janeiro. A avó, Francisca, relatou que a mãe dos irmãos havia avisado que eles estavam brincando na varanda. Naquele domingo, o primo Anderson Kauã, de 8 anos, também estava no local: brincou, almoçou e saiu mais cedo.

O tio das crianças, José Henrique Cardoso Reis, contou que viu os três juntos por volta das 13h30 e pediu que voltassem para casa. Já a ausência dos irmãos só foi percebida entre 15h30 e 16h, quando a avó chamou e não obteve resposta. O avô, José Reis, explicou que era comum as crianças circularem pelas casas vizinhas, mas, ao perceber que não estavam em lugar nenhum, os moradores entraram na mata para procurar.

A mobilização cresceu rapidamente e se transformou em uma das maiores operações de busca já registradas na região. Bombeiros do Pará e do Ceará, equipes do Exército Brasileiro, da Marinha, da Polícia Militar, da Polícia Civil, da Guarda Municipal, além de voluntários, passaram a atuar de forma integrada. Ao todo, mais de mil pessoas já participaram das buscas em diferentes momentos, com apoio de cães farejadores.

As equipes alertaram para os riscos do terreno, que incluem armadilhas usadas por caçadores e a presença da chamada “tiririca”, planta cortante comparada a uma navalha. Durante as buscas, pegadas de criança foram encontradas, reforçando a linha de investigação de que os menores entraram na mata por conta própria.

Três dias após o desaparecimento, veio o primeiro alívio: Anderson Kauã foi localizado por um carroceiro que colhia palha. O menino estava sem roupas, havia perdido cerca de dez quilos, mas sobreviveu. Ele segue em recuperação e deve receber alta hospitalar ainda nesta semana. O Instituto de Perícias para Crianças e Adolescentes (IPCA) confirmou que não houve indícios de violência sexual.

O delegado Ederson Martins explicou que Kauã relatou ter tentado chegar até um pé de maracujá. Após ser mandado de volta pelo tio, entrou na mata por outro caminho para não ser visto e acabou se perdendo com os primos. As roupas do menino foram encontradas no dia 8 de janeiro, reforçando o trajeto descrito por ele.

Com o resgate de Kauã, as buscas se concentraram exclusivamente em Ágatha e Allan. Uma área de aproximadamente quatro quilômetros quadrados foi dividida em 45 quadrantes, monitorados com auxílio de um aplicativo de geolocalização. O coordenador Cleyton Cruz explicou que o menino foi encontrado encostado em uma palmeira e relatou, durante a reconstituição, que nenhum adulto os acompanhava e que o grupo não encontrou comida durante o percurso.

Kauã também contou que passou por uma casa abandonada. A informação foi confirmada pela Secretaria de Segurança Pública do Maranhão (SSP-MA) após cães farejadores identificarem o trajeto feito pelas crianças. Segundo o IPCA, os irmãos teriam se separado no terceiro dia, já exaustos, enquanto Kauã seguiu sozinho em busca de ajuda.

A mãe das crianças, Clarisse Cardoso Ribeiro, fez um apelo emocionado exibido pelo Fantástico: “É minha vida. Meus filhos são tudo pra mim, são muito apegados comigo. A única coisa que eu peço é que quem esteja com meu filho, entregue.”

Nesta segunda-feira (19), no 15º dia de buscas, a operação ganhou novo reforço. O governador Carlos Brandão informou a chegada de 11 militares da Marinha, com uso de side scan sonar, equipamento capaz de localizar objetos submersos em águas turvas ou profundas por meio de ondas sonoras, além de lancha voadeira e moto aquática. A equipe partiu de São Luís e chegou a Bacabal por volta das 15h.

Segundo o governo do estado, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) também ampliou as ações nas rodovias da região. Já as buscas terrestres realizadas pelo Corpo de Bombeiros ultrapassaram 3,2 km² de área de mata vistoriada. Desde a última quarta-feira (15), as operações foram intensificadas no lago da região e no rio Mearim, onde imagens mostram mergulhadores atuando próximos à casa por onde as crianças teriam passado.

O reforço interestadual chegou na quarta-feira (14), com sete bombeiros do Pará, acompanhados de dois cães farejadores, e cinco bombeiros do Ceará, com mais quatro cães. Na quinta-feira (15), os cães confirmaram que as crianças estiveram na chamada “casa caída”, um abrigo simples feito de barro, troncos de madeira e coberto por palha, localizado no povoado São Raimundo, na zona rural de Bacabal.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o local fica a cerca de 3,5 km em linha reta da comunidade quilombola, mas, devido aos obstáculos naturais — trilhas, lagoas e mata fechada —, o percurso pode chegar a 12 km. Dentro da estrutura foram encontrados um colchão, botas e um banco. Segundo o secretário de Segurança, Maurício Martins, não havia indícios da presença de outras pessoas, e os cães identificaram apenas o cheiro deixado pelas crianças.

O major Pablo Moura Machado, do Corpo de Bombeiros do Maranhão, explicou que a estratégia atual é uma varredura minuciosa por quadrantes, cada um com cerca de 90 mil metros quadrados. Ao todo, são 45 quadrantes, dos quais 25 já foram completamente vistoriados.
“Estamos fazendo metro por metro, centímetro por centímetro, para ter certeza de que as crianças não estão ali”, afirmou.

Cerca de 500 pessoas seguem mobilizadas diariamente nas buscas. Paralelamente, a Polícia Civil mantém as investigações para esclarecer o caso. Desde o dia 11 de janeiro, uma equipe multidisciplinar do IPCA atua em Bacabal, realizando escuta especializada, perícias psicológicas e sociais, além de ouvir familiares e moradores. O depoimento de Anderson Kauã segue considerado peça-chave para orientar as próximas etapas da operação.

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