
Quem caminha pela Praia Grande, no Centro Histórico de São Luís, encontra a mesma cena que se repete em qualquer rua comercial do país. Atrás dos balcões, lojistas com o celular apoiado em pequenos tripés gravam o produto, o cliente que acabou de comprar, a embalagem sendo fechada.
O que parece distração na hora do expediente é, hoje, uma das principais frentes de venda de quem empreende no Maranhão. O Reels, formato de vídeo curto do Instagram que nasceu como resposta ao TikTok em 2020, deixou de ser um espaço de dancinha e meme para virar a vitrine principal de boa parte dos pequenos negócios brasileiros.
Os números explicam por que isso acontece. Levantamento da plataforma de e-commerce Nuvemshop, divulgado em agosto de 2024, mostrou que as redes sociais foram responsáveis por cerca de 24% de todos os pedidos feitos em pequenas e médias empresas online no primeiro semestre daquele ano.
Dentro desse recorte, o Instagram concentrou 89% dos pedidos, deixando Facebook, YouTube e TikTok com fatias bem menores. O dado é direto: para a PME que vende online, o Instagram não é mais um canal entre outros, é o canal.
E, dentro do Instagram, é o Reels que cresce. Pesquisa do Opinion Box publicada em 2025 apontou que 73% dos usuários brasileiros já compraram algum produto ou contrataram algum serviço que descobriram pela plataforma.
Estudo da Emplifi indicou que o formato de vídeo curto entrega cerca de 40% mais engajamento do que outras funcionalidades do próprio aplicativo. O algoritmo distribui esses vídeos para usuários que ainda não seguem o perfil, o que torna o Reels uma das poucas formas de alcance orgânico que sobreviveram à era dos anúncios pagos.
Por que o Reels conversa com o pequeno negócio
A conta é simples para quem opera com margem apertada. Para produzir um vídeo curto, basta um celular razoável, luz natural e algum tempo de planejamento. Não há custo de produção, não há agência de publicidade no caminho, não há intermediário entre o lojista e o consumidor.
Em São Luís, onde a Prefeitura e o Sebrae mantêm desde 2021 o programa Cidade Empreendedora e já inauguraram a quarta Sala do Empreendedor da capital, a média do empreendedor atendido é justamente o microempresário individual ou o dono de negócio familiar, perfil que dificilmente teria orçamento para campanhas tradicionais.
Em 2024, a capital maranhense foi reconhecida pelo Índice de Cidades Empreendedoras como a segunda cidade mais empreendedora do Nordeste e a 27ª no Brasil. Boa parte desse contingente é composto por MEIs de comércio e prestação de serviço, perfil que historicamente dependia da rua, da indicação e do boca a boca.
O Reels reorganiza essa lógica. O cliente que antes só viria à loja pela vizinhança hoje pode chegar pelo vídeo que apareceu no feed enquanto ele esperava no consultório.
A própria Meta, dona do Instagram, reorganizou a interface para empurrar mais Reels para os usuários, o que ampliou a fatia de visualizações desse tipo de conteúdo dentro do aplicativo.
Para o lojista, isso significa que um vídeo bem feito pode chegar a milhares de pessoas que nunca pisaram em São Luís, abrindo espaço para vendas a distância, encomendas via WhatsApp e envio pelos Correios.
A consistência importa mais do que o equipamento
A barreira raramente é técnica. Empreendedor nenhum precisa de câmera profissional para começar. O obstáculo é manter regularidade. Estudos da própria Meta sugerem que perfis comerciais que publicam pelo menos três vezes por semana têm crescimento orgânico significativamente maior do que os que publicam de forma irregular. O algoritmo lê consistência como sinal de qualidade e distribui mais.
Quem trabalha com moda, gastronomia, beleza ou serviços percebeu rápido que o Reels exige algo que a propaganda tradicional dispensava: rosto. O empreendedor precisa aparecer, falar, mostrar o produto sendo feito, embalado, entregue.
Estudo de marca discutido em palestras do Sebrae em 2025 estimou que empresários que se posicionam diretamente nas redes sociais podem elevar o faturamento em até 40% em comparação a quem terceiriza toda a comunicação. A explicação não está em magia algorítmica, mas em confiança. O cliente compra de quem ele consegue identificar.
Esse princípio também explica por que tantos empreendedores investem em prova social desde os primeiros vídeos. Conta com perfil novo, sem visualizações nem curtidas, transmite a sensação de que ninguém ainda apostou naquele produto.
Conta com alguma tração inicial, mesmo modesta, sinaliza para o usuário que existe um movimento ali. É o mesmo efeito da loja de rua com fila na porta, transposto para o ambiente digital.
O empurrão inicial e a chamada prova social
Foi por aí que ganharam espaço os serviços que vendem reforço de visualizações e engajamento. A lógica é direta. Um vídeo recém publicado precisa, nas primeiras horas, mostrar ao algoritmo que tem potencial de retenção.
Quanto mais pessoas visualizam, comentam e compartilham nesse intervalo, maior a chance de o conteúdo ser empurrado para usuários fora da base de seguidores. Para perfis pequenos, que ainda não têm volume orgânico próprio, esse arranque inicial pode ser a diferença entre um vídeo que morre com cinquenta visualizações e um que chega a dez mil.
Empreendedores que estão em fase de lançamento de produto, em campanha sazonal ou em corrida contra o tempo de uma data comemorativa têm recorrido a fornecedores especializados para comprar visualizações no Reels e dar esse impulso controlado nas primeiras horas de cada publicação.
A ideia não é substituir o trabalho orgânico, mas reduzir o tempo de invisibilidade que costuma matar o vídeo antes mesmo de ele encontrar o público certo. Operadores experientes do mercado recomendam doses moderadas, compatíveis com o tamanho do perfil, justamente para que o sinal entregue ao algoritmo pareça orgânico.
A escolha do serviço, no entanto, exige cuidado. Entregas que chegam todas de uma vez, sem qualquer progressão, podem soar artificiais e gerar penalização. Plataformas com reposição em caso de queda, suporte em dias úteis e operação que dispensa a senha do perfil tendem a ser as mais seguras.
Para quem está começando, vale o teste em um ou dois vídeos por semana, comparando o desempenho com a média do perfil antes de escalar a estratégia.
Curtidas, comentários e o ciclo da credibilidade
O outro lado da equação é o engajamento visível. Visualização sem curtida é métrica vazia. O usuário que chega no perfil olha primeiro a quantidade de seguidores, depois o número de curtidas e comentários nos posts mais recentes. Esse conjunto de sinais funciona como o cartão de visita do negócio.
Pesquisa do Sebrae citada em 2025 indicou que 90% dos consumidores brasileiros afirmam que a confiança influencia diretamente a decisão de compra, e 73% já adquiriram produtos recomendados nas redes sociais. Para o pequeno negócio, isso significa que cada interação registrada no perfil compõe a memória da marca.
É por essa razão que muitos empreendedores também procuram serviços para comprar curtidas baratas e equilibrar a relação entre visualizações e engajamento ativo. Um Reels com cinco mil visualizações e doze curtidas levanta a sobrancelha de qualquer cliente atento.
Um Reels com cinco mil visualizações e duzentas curtidas passa a sensação de naturalidade. A coerência entre os números é o que mantém a credibilidade do perfil aos olhos do consumidor e do algoritmo.
Especialistas em marketing digital ouvidos por veículos do setor reforçam que esse tipo de impulso só funciona se vier acompanhado de conteúdo de qualidade. Vídeo ruim com mil curtidas continua sendo vídeo ruim.
O reforço de engajamento serve para abrir a porta, não para entregar o produto. O fechamento da venda depende do gancho dos primeiros três segundos, da clareza da oferta e da resposta no direct.
O cenário maranhense e a corrida contra a invisibilidade
Em estados como o Maranhão, onde o e-commerce ainda representa fatia menor das vendas online nacionais em comparação com Sudeste e Sul, a presença qualificada no Instagram pode ser o salto que tira o pequeno negócio do círculo limitado da clientela local.
O turista que vem para o São João, o empresário que passa por São Luís a trabalho, o estudante que mora em outra capital e quer um produto típico, todos podem virar cliente sem nunca ter pisado na loja, desde que o perfil consiga aparecer no feed certo.
Empreendedores que entenderam isso cedo já operam com volume relevante de pedidos via direct e WhatsApp. Os que ainda não entraram nessa lógica enfrentam concorrência crescente, inclusive de marcas de outros estados que vendem para o público maranhense por meio de envio nacional.
O Pix, que respondeu por 46% dos pedidos de pequenas empresas online no Brasil em 2024 segundo a Nuvemshop, removeu a última fricção no fechamento. Falta apenas o vídeo que faz o cliente parar de rolar o feed.
O que esperar para 2026
A tendência consolidada é a de que o Reels continue ganhando peso dentro do Instagram, com a Meta priorizando o formato de vídeo curto sobre fotos estáticas e até sobre stories. Para o pequeno empreendedor, isso significa duas decisões obrigatórias.
A primeira é assumir que produzir vídeo passou a ser parte do trabalho, não tarefa adicional. A segunda é entender que cada publicação compete por atenção com milhares de outras no mesmo segundo, o que exige planejamento, regularidade e, em muitos casos, suporte estratégico para os primeiros disparos.
O empreendedor que tratava o Instagram como mural de avisos vai perdendo espaço para o que enxerga ali um canal de venda direto, com métricas, gargalos e oportunidades específicas.
Em São Luís, em Imperatriz, em Caxias e nas demais cidades que crescem em formalização de MEIs, essa virada já está em curso. Quem ainda não acordou para ela está perdendo cliente a cada vídeo que deixa de ser publicado.