Alcolumbre deve barrar novamente CPI mista do Banco Master

Governo e oposição pressionam por CPI do Banco Master, mas líderes admitem resistência nos bastidores

Fonte: Da redação

O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, deve evitar novamente a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito mista para investigar as fraudes envolvendo o Banco Master.

A expectativa é compartilhada por parlamentares do governo, da oposição e do centrão, apesar de já existirem dois pedidos de CPI com o número mínimo de assinaturas exigido pelo Congresso Nacional.

Pelas regras regimentais, a leitura do requerimento deveria ocorrer na próxima sessão conjunta do Congresso após a formalização do apoio mínimo de 27 senadores e 171 deputados.

Mesmo assim, interlocutores políticos avaliam que Alcolumbre deve ignorar novamente os pedidos durante a sessão marcada para esta quinta-feira, convocada para análise de vetos presidenciais à Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2026.

Nos bastidores, líderes partidários reconhecem que há resistência tanto do governo quanto da oposição à efetiva instalação da comissão.

Entre aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o receio é que uma CPI produza efeitos políticos imprevisíveis e amplie desgastes em meio ao cenário pré-eleitoral.

Já setores da oposição demonstram preocupação com os impactos das recentes revelações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A divulgação de áudios atribuídos ao senador intensificou a pressão política sobre o caso e passou a influenciar o debate em torno da criação da comissão parlamentar.

Após a repercussão das revelações, o líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, afirmou que o caso possui relação direta com setores ligados ao bolsonarismo e defendeu a investigação parlamentar.

Ao mesmo tempo, a pré-campanha de Flávio Bolsonaro passou a apoiar publicamente a instalação da CPI como estratégia para demonstrar apoio às investigações e tentar reduzir o desgaste político provocado pelo caso.

A avaliação de integrantes da oposição é que a abertura da comissão também poderia ampliar disputas internas e produzir consequências eleitorais imprevisíveis para diferentes grupos políticos.

Nos bastidores do Congresso, parlamentares avaliam que Alcolumbre tende a concentrar sobre si o desgaste da decisão de não instalar a comissão, evitando que governo e oposição assumam diretamente a responsabilidade pelo bloqueio.

O senador também enfrenta pressão indireta por conta da investigação envolvendo aportes suspeitos de aproximadamente R$ 400 milhões realizados pela Amapá Previdência no Banco Master.

O ex-presidente da fundação, Jocildo Silva Lemos, é apontado como aliado político de Alcolumbre e foi alvo de operação da Polícia Federal.

Parlamentares da oposição também recordam a experiência da CPI dos atos de 8 de janeiro, instalada em 2023. Na ocasião, o governo inicialmente resistiu à comissão, mas posteriormente passou a apoiar sua criação e conquistou maioria no colegiado, direcionando os trabalhos principalmente contra aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro.

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