As famílias de São Luís estão destinando cerca de 30% da renda mensal para o pagamento de dívidas, segundo a Radiografia do Endividamento de 2026, levantamento divulgado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP).
De acordo com o estudo, a capital maranhense aparece com 30,2% da renda familiar comprometida com dívidas, índice acima da média geral das capitais brasileiras, que ficou em 29,7%. O percentual coloca São Luís entre as cidades onde o peso das dívidas sobre o orçamento doméstico já ultrapassa praticamente um terço da renda mensal das famílias.
O levantamento mostra diferenças expressivas entre as capitais brasileiras. Teresina lidera o ranking nacional, com 42,4% da renda comprometida, seguida por Natal (35,6%), Macapá (35,5%) e Manaus (34,1%). São Luís aparece em uma faixa intermediária superior, à frente de capitais como Florianópolis, Vitória, São Paulo, Goiânia e Brasília.
Além do percentual de renda comprometida, o estudo também analisou o valor médio das dívidas familiares em cada capital. Em São Luís, as famílias possuem dívida média mensal de R$ 3.380, enquanto a renda média familiar foi estimada em R$ 11.841.
Embora o valor absoluto das dívidas em São Luís fique abaixo de capitais como Florianópolis, Curitiba e Belo Horizonte, o estudo aponta que o comprometimento da renda permanece elevado diante do aumento do custo de vida, da pressão sobre o orçamento doméstico e do crescimento do uso do crédito pelas famílias brasileiras.
A pesquisa também indica que o endividamento voltou a crescer no país. Segundo a FecomercioSP, oito em cada dez famílias brasileiras possuem algum tipo de dívida em 2026. Em 2023, esse percentual era de 78%, caiu para 76% em 2024 e voltou a subir neste ano.
Para a entidade, o avanço do comprometimento da renda aumenta o risco de inadimplência, principalmente em cenários de juros elevados e menor capacidade de reorganização financeira das famílias. O impacto pode atingir desde despesas essenciais até o consumo de itens considerados não prioritários.
O estudo também reforça a necessidade de políticas de educação financeira e maior conscientização sobre o uso do crédito, especialmente em um contexto de expansão do endividamento nas capitais brasileiras.