Ex-marido é condenado a 40 anos por feminicídio no Maranhão

Daniel da Costa Silva foi condenado pelo Tribunal do Júri de Imperatriz pelo assassinato da ex-companheira, ocorrido em novembro de 2023

Fonte: Da redação

A Justiça do Maranhão condenou Daniel da Costa Silva a 40 anos de prisão pelo feminicídio da doméstica Patrícia Almeida Silva, assassinada em novembro de 2023, em Imperatriz. A sentença foi proferida nesta quinta-feira (5), durante sessão do Tribunal do Júri realizada no fórum do município. O condenado, que já estava preso preventivamente, teve a prisão mantida.

O crime ocorreu depois que Daniel abordou a ex-companheira e a obrigou a entrar em uma caminhonete. Segundo a acusação apresentada pelo Ministério Público do Maranhão (MPMA), ele matou Patrícia com um disparo de arma de fogo na cabeça, abandonou o corpo em uma área rural de Imperatriz e fugiu para o Pará, levando o telefone celular da vítima.

Patrícia, que tinha 34 anos, ficou desaparecida por aproximadamente uma semana. Seu corpo foi encontrado em 12 de novembro de 2023, em uma fazenda na zona rural do município. Roupas, acessórios e um demonstrativo de pagamento ajudaram na identificação. O laudo do Instituto Médico Legal confirmou que a morte foi provocada por um tiro na cabeça.

As investigações apontaram que a vítima já havia denunciado o ex-marido por ameaças e agressões. Em julho de 2023, Patrícia registrou um boletim de ocorrência e obteve uma medida protetiva após ter sido abordada na rua, colocada à força em um veículo e agredida fisicamente. Parte da violência foi registrada por câmeras de segurança.

Durante a apuração do feminicídio, imagens de monitoramento mostraram Daniel e Patrícia conversando no dia do desaparecimento. A polícia também identificou manchas de sangue no veículo do investigado. Ele permaneceu foragido até setembro de 2024, quando foi localizado e preso na cidade de Tucumã, no Pará.

No julgamento, o promotor de Justiça Tiago Quintanilha Nogueira sustentou a acusação de homicídio qualificado por motivo torpe, feminicídio e emprego de recurso que dificultou a defesa da vítima. Também foram apresentados os crimes de descumprimento de medida protetiva de urgência e furto.

O padrasto do condenado, Udson da Conceição Silva, também foi levado ao Tribunal do Júri, acusado de fraude processual. Entretanto, as provas examinadas durante o julgamento indicaram que a conduta havia sido praticada por Daniel. Diante dessa conclusão, o próprio Ministério Público pediu a absolvição de Udson.

Com a decisão dos jurados e a sentença de 40 anos de reclusão, Daniel permanecerá preso. O julgamento encerra uma etapa do processo criminal iniciado após o assassinato de Patrícia, caso que teve repercussão no Maranhão e envolveu um histórico de violência doméstica anterior ao feminicídio.

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