
As buscas pelos irmãos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michel, de 4, chegaram neste sábado (10) ao sétimo dia consecutivo no município de Bacabal, no interior do Maranhão. A principal frente da operação está concentrada em um lago localizado em área de mata fechada, após o depoimento do menino Wanderson Kauã, de 8 anos, encontrado com vida após também ter desaparecido.
De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar do Maranhão, o terreno apresenta acesso limitado, vegetação densa, ausência de energia elétrica e riscos adicionais, como a existência de armadilhas de caça, comuns na região. A área total monitorada pelas equipes é estimada em cerca de 15 quilômetros quadrados.
Depoimento orienta nova etapa da operação
Internado no Hospital Geral de Bacabal, Wanderson Kauã permanece sob observação médica e psicológica. Durante acompanhamento profissional, ele relatou que ficou com os irmãos nas proximidades de um lago antes de sair sozinho para tentar buscar ajuda, quando acabou se perdendo.
O menino foi encontrado por produtores rurais em uma estrada vicinal próxima ao Rio Mearim, a aproximadamente quatro quilômetros em linha reta do ponto inicial do desaparecimento. Desde então, moradores da região passaram a auxiliar nas buscas com embarcações, ampliando a varredura em áreas alagadas.
Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o estado de saúde da criança é considerado estável, com evolução positiva, mas ainda sem previsão de alta hospitalar.
Odor próximo a lago é analisado
Na sexta-feira (9), equipes que atuam na operação relataram a percepção de um forte odor nas imediações do lago indicado pelo menino. Em entrevista coletiva, o tenente-coronel Marcos Bittencourt explicou que a situação está sendo investigada com cautela.
Segundo ele, a presença de animais mortos na região, muitos abatidos por caçadores, exige análise técnica detalhada, sem conclusões precipitadas. As equipes seguem tratando todas as possibilidades de forma simultânea.

Exército passa a integrar força-tarefa
Com o avanço das buscas e a complexidade do terreno, o Exército Brasileiro passou a atuar diretamente na operação, reforçando o efetivo em campo. A atuação ocorre de forma integrada com forças estaduais, utilizando técnicas de rastreamento em selva, drones com tecnologia termal e equipes especializadas.
Além do Exército, participam da força-tarefa policiais civis e militares, bombeiros, equipes do Batalhão Ambiental, do Comando de Operações e Sobrevivência em Área Rural (Cosar), da Força Estadual Integrada de Segurança e do Centro Tático Aéreo (CTA).
Recompensa e apoio da comunidade
Na quinta-feira (8), a Prefeitura de Bacabal anunciou uma recompensa de R$ 20 mil para quem apresentar informações concretas que levem à localização das crianças. A medida busca ampliar a colaboração popular em um momento considerado decisivo pelas autoridades.
Moradores de diversos povoados da região passaram a se deslocar até a base de apoio para ajudar nas buscas. Pessoas que não conhecem a área contam com o auxílio de moradores locais, que indicam trilhas antigas, estradas esquecidas e pontos de difícil acesso.
Polícia pede cautela com informações não confirmadas
Após o resgate do menino, versões não oficiais começaram a circular em redes sociais e aplicativos de mensagens, incluindo relatos sobre o suposto paradeiro das crianças e informações falsas sobre a participação do menino nas buscas aéreas.
A Polícia Civil negou oficialmente essas informações e reforçou o pedido para que a população evite compartilhar boatos, destacando que notícias falsas podem comprometer o andamento das investigações e ampliar o sofrimento das famílias.
As buscas por Ágatha Isabelly e Allan Michel seguem de forma ininterrupta, com ampliação das frentes de trabalho e análise técnica de todas as informações recebidas pelas autoridades.