
Não é novidade que os brasileiros estão cada vez mais preocupados em manter a saúde em dia. O crescimento do mercado de academias, por exemplo, é expressivo, como aponta o relatório Panorama Setorial Fitness Brasil 2024, da EY, que mostra que o número de academias quase dobrou entre 2019 e 2024, saltando de cerca de 30 mil unidades para 57 mil. Além dos treinos, produtos que prometem complementar a rotina de exercícios e auxiliar na recuperação da massa muscular também apresentam crescimento exponencial, como é o caso das bebidas lácteas proteicas.
Segundo dados da Mordor Intelligence, o mercado global de bebidas proteicas prontas para beber tem previsão de expansão média anual de 7,72% entre 2022 e 2027. Mas, afinal, essas bebidas realmente cumprem o que prometem?
A nutricionista e professora do curso de Nutrição, Bárbara Soares, explica que essas bebidas são ricas em proteínas e têm como uma de suas principais funções auxiliar na construção, recuperação e reparação dos tecidos musculares, uma vez que fornecem aminoácidos essenciais para a regeneração da musculatura. “Mas é importante destacar que o consumo deve estar associado à prática regular de atividade física e a uma alimentação equilibrada, para que seus benefícios sejam realmente eficazes para a saúde”, ressalta a especialista.
O consumo das bebidas lácteas proteicas pode ocorrer antes ou após o treino, a depender do objetivo de cada pessoa. No pós-treino, elas são indicadas para a recuperação muscular e o ganho de massa magra, sendo preferencialmente consumidas até duas horas após o exercício. Já no pré-treino, podem fornecer energia rápida e ajudar a reduzir a degradação muscular durante treinos intensos.
ALERTA
A professora alerta, no entanto, que o consumo exagerado desse tipo de bebida pode comprometer a saúde hepática e renal. “O aumento da ingestão proteica pode resultar em maior produção de resíduos nitrogenados, elevando a atividade de filtração dos rins.
Outro aspecto importante a ser observado é o consumo dessas bebidas por pessoas sedentárias. O uso excessivo, especialmente nesse grupo, tem sido associado ao aumento de marcadores de toxicidade hepática e renal, o que pode comprometer a saúde desses sistemas.
“Embora estudos não comprovem efeitos prejudiciais em pessoas com função hepática e renal preservadas, é necessária cautela por parte de indivíduos que já apresentam algum comprometimento dessas funções”, completa Bárbara.