Empresa de ônibus em São Luís desviou subsídio e atrasou salários de 600 funcionários

O juiz Douglas de Melo Martins determinou abertura de inquérito policial e bloqueou R$ 50 milhões em bens de empresários ligados ao grupo

Fonte: Da redação

A Expresso Rei de França, empresa que integra o Consórcio Via SL e atua no sistema de transporte público de São Luís, está no centro de uma investigação que apura suspeitas de desvio de recursos públicos, irregularidades administrativas e a possível existência de um sócio oculto no controle da empresa. O inquérito foi determinado pelo juiz Douglas de Melo Martins, da Vara de Interesses Difusos e Coletivos, após o magistrado tomar conhecimento de indícios de crime durante audiência sobre a crise no transporte coletivo da capital.

Documentos revelados pela investigação mostram que a empresa realizava movimentações bancárias para pagamento de aluguel e faturas de cartão de crédito nos mesmos dias em que recebia repasses de subsídios públicos. O padrão sugere que recursos destinados ao funcionamento do sistema de transporte estavam sendo canalizados para despesas particulares. Em paralelo, os cerca de 600 funcionários da empresa enfrentavam atrasos sistemáticos no pagamento de salários, tickets alimentação e planos de saúde, situação que desembocou em paralisações das atividades no final de 2024.

A investigação sobre o SET mostra que o sindicato das empresas transferiu mais de R$ 3 milhões para a conta da Expresso Rei de França. Os valores, porém, foram rapidamente utilizados para quitar dívidas com a empresa Goldcoltan, ligada ao empresário Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, e para outras despesas de consumo, sem registro de pagamento aos trabalhadores.

Um dos elementos mais sensíveis da apuração é a questão do controle societário. Formalmente, a Expresso Rei de França está registrada em nome de Willame Alves dos Santos, que figurava como beneficiário do programa Bolsa Família até janeiro deste ano e que, segundo os registros, teria recebido todas as cotas da empresa, avaliadas em R$ 3 milhões, de Débora Piorski Ferreira. Depoimentos de funcionários, no entanto, indicam que o verdadeiro proprietário seria Pedro Paulo Pinheiro Ferreira, pai de Débora e empresário do setor de extração mineral que se encontra em processo de recuperação judicial desde novembro de 2024. A conduta de sócio oculto, conforme destacou o magistrado, pode caracterizar crime.

A investigação sobre a Expresso Rei de França integra um quadro mais amplo de apuração sobre a crise no transporte público de São Luís. Na mesma semana, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 50 milhões em bens de empresários e empresas vinculadas ao Consórcio Via SL, com autorização de desconsideração da personalidade jurídica para atingir bens pessoais dos envolvidos. A empresa informou que 30 ônibus já voltaram a circular, atendendo passageiros de 15 bairros da capital, enquanto realiza a manutenção da frota para restabelecer a normalidade do serviço.

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