
A Copa do Mundo FIFA de 2026 deve consolidar uma transformação já em curso no varejo brasileiro: o uso de grandes eventos como catalisadores diretos de consumo digital. Levantamento da Rakuten Advertising indica que 91% dos brasileiros pretendem comprar produtos ou serviços motivados pelo torneio, evidenciando que a competição deixou de ser apenas um fenômeno de audiência para assumir papel relevante na geração de receita .
Mais do que o volume de intenção, o dado que chama atenção é a maturidade do comportamento de consumo. Segundo o estudo, 53% dos consumidores já têm decisão de compra definida, enquanto 26% apresentam alta propensão, o que encurta o funil de conversão e aumenta a previsibilidade para marcas e varejistas . Esse cenário indica uma mudança estrutural: a decisão de compra ocorre cada vez mais próxima do momento de exposição ao conteúdo, especialmente em ambientes digitais.
Outro ponto relevante é a antecipação do consumo. A maior parte dos consumidores (63%) concentra compras antes do início do torneio, enquanto uma parcela menor mantém decisões durante os jogos, impulsionadas por estímulos em tempo real. Esse comportamento híbrido — que combina planejamento com compras por impulso — exige estratégias capazes de atuar tanto no pré-evento quanto durante a competição, com campanhas adaptáveis e integradas.
A fragmentação dos canais de mídia reforça essa mudança. Embora a TV aberta ainda mantenha alcance elevado, o ambiente digital ganha protagonismo, com plataformas como YouTube e redes sociais se aproximando do nível de audiência da televisão . Esse cenário consolida uma jornada de consumo distribuída entre múltiplos canais, em que descoberta, consideração e compra ocorrem de forma simultânea e integrada.
Nesse contexto, o papel de influenciadores e afiliados se expande. A pesquisa indica que a recomendação se tornou um fator central de decisão, com consumidores sendo impactados diretamente por conteúdos durante o consumo de mídia. O avanço desse modelo reforça a ideia de que a fronteira entre conteúdo e comércio está cada vez mais difusa, transformando canais digitais em pontos diretos de venda.
Apesar da sofisticação do ambiente digital, os critérios de decisão permanecem ancorados em fundamentos tradicionais. Elementos como preço, confiança na loja e condições de entrega continuam determinantes para a conversão, enquanto o smartphone se consolida como principal interface de consumo, refletindo uma jornada cada vez mais mobile e imediata.
O conjunto dos dados aponta para um cenário em que a Copa de 2026 funciona como um teste de escala para o varejo digital no Brasil, acelerando tendências já em curso e exigindo maior integração entre mídia, dados e experiência de compra.