Bancos separam R$ 44,8 bilhões diante do avanço da inadimplência

Banco do Brasil liderou a piora com custo de crédito subindo 86% para R$ 18,9 bi e inadimplência rural saltando de 2,76% para 6,22%

Fonte: Da redação

Os quatro maiores bancos do Brasil — Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco e Santander — provisionaram juntos R$ 44,8 bilhões contra perdas com crédito no primeiro trimestre de 2026, alta de 33% sobre o mesmo período do ano anterior. O avanço simultâneo nas quatro instituições revela o impacto acumulado do ciclo de juros elevados sobre empresas e famílias, agravado pelos efeitos da guerra no Oriente Médio e pelas novas regras da resolução CMN 4.966, que tornaram mais rigoroso o reconhecimento antecipado de perdas nas carteiras de crédito.

O Banco do Brasil concentrou a deterioração mais intensa. O custo de crédito da instituição saltou 86% em 12 meses para R$ 18,9 bilhões, pressionado principalmente pela inadimplência rural, que atingiu 6,22% em março ante 2,76% um ano antes. Só da carteira agro vieram cerca de R$ 7,4 bilhões das provisões para perdas esperadas. A recuperação de créditos já baixados também ficou abaixo do esperado: R$ 1,2 bilhão contra uma expectativa de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões por trimestre. O vice-presidente de gestão financeira Geovanne Tobias disse que o banco antecipou reforços de provisão também nas operações de cartão de crédito, diante da piora na carteira de pessoa física.

Nos bancos privados, a deterioração foi mais moderada, mas espalhada por diferentes segmentos. O Santander registrou o avanço mais expressivo na inadimplência entre os grandes privados, alta de 0,6 ponto percentual em 12 meses para 3,3% da carteira. O CEO Mario Leão apontou três áreas sob monitoramento próximo: pequenas empresas, agronegócio e cartão de crédito. No Bradesco, a inadimplência avançou 0,1 ponto percentual e o custo de crédito chegou a 3,5% da carteira média, com executivos estimando que o indicador deve permanecer próximo de 3,3% ao longo do ano. O Citi apontou o custo de risco como principal indicador de atenção para o Bradesco nos próximos trimestres, especialmente no varejo de massa.

O Itaú manteve a inadimplência estável em 1,9%, mas identificou piora nas operações com micro, pequenas e médias empresas após o encerramento dos períodos de carência de programas garantidos pelo governo, como o FGI. O presidente Milton Maluhy Filho alertou que a inadimplência nesse segmento pode continuar subindo nos próximos trimestres, ainda que permaneça abaixo dos níveis de ciclos anteriores. O banco também passou a monitorar mais de perto carteiras corporativas, diante dos casos recentes de empresas como GPA e Raízen em processos de recuperação extrajudicial.

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