A percepção de segurança no mercado de trabalho brasileiro atingiu o maior nível em mais de uma década, segundo pesquisa divulgada nesta quarta-feira pelo Datafolha. O levantamento mostra que 71% dos trabalhadores afirmam não enxergar risco de perder o emprego ou ficar sem trabalho atualmente.
O resultado representa o maior percentual registrado desde 2013 e ocorre em um momento em que a taxa de desemprego no país permanece próxima de 6%, um dos menores níveis da série histórica recente.
Segundo a pesquisa, outros 9% disseram ver alguma possibilidade de demissão ou perda de renda, enquanto 19% classificaram o risco como elevado.
O levantamento foi realizado nos dias 12 e 13 de maio com 1.312 pessoas em 139 municípios brasileiros. Foram ouvidos trabalhadores formais, informais, autônomos, empresários e demais integrantes da População Economicamente Ativa (PEA). Desempregados, aposentados e estudantes ficaram fora da amostra.
Os dados mostram uma mudança relevante em relação ao cenário observado nos últimos anos. Na pesquisa anterior sobre o tema, realizada em julho de 2019, apenas 58% afirmavam não correr risco de perder o emprego. Naquele momento, a taxa de desemprego do país estava em 11,9%.
Os atuais números se aproximam dos níveis observados durante o segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e no início do governo Dilma Rousseff. O recorde da série ocorreu em março de 2013, quando 75% dos entrevistados disseram não temer perder o trabalho.
A sensação de estabilidade varia conforme faixa etária, renda e ocupação. Entre trabalhadores com 60 anos ou mais, 80% afirmaram não enxergar risco de demissão. Entre servidores públicos, o índice sobe para 84%, o maior entre os grupos analisados.
Já entre pessoas com renda de até dois salários mínimos, o percentual cai para 65%, indicando maior percepção de vulnerabilidade nas faixas de menor renda.
O levantamento também mediu o medo relacionado ao desemprego. Segundo o Datafolha, 58% disseram que perder o trabalho não é uma preocupação relevante atualmente. Para 21%, porém, essa continua sendo a principal fonte de medo, enquanto outros 20% afirmaram que o desemprego está entre os fatores que mais geram preocupação.
Os grupos com menor temor incluem trabalhadores com maior escolaridade, renda mais elevada e pessoas acima de 60 anos. Entre aqueles com renda superior a dez salários mínimos, 75% afirmaram não ter medo de perder o emprego.
Entre jovens de 16 a 24 anos, trabalhadores menos escolarizados e pessoas com renda de até dois salários mínimos, o percentual cai para cerca de 50%, refletindo maior insegurança nas faixas mais vulneráveis do mercado de trabalho.