Brandão nega suspeitas da PF sobre desvios e cita perseguição política

Governador Carlos Brandão afirmou ser alvo de perseguição após divulgação de investigações da PF sobre desvios, organização criminosa e obstrução da Justiça

Fonte: Da redação

O governador Carlos Brandão (MDB) negou envolvimento nas irregularidades investigadas pela Polícia Federal após ser apontado como “provável líder” de uma organização criminosa suspeita de desviar recursos públicos no Maranhão. A manifestação ocorreu na noite desta sexta-feira (14), depois da retirada do sigilo de dois inquéritos que também apuram possíveis atos de obstrução da Justiça e coação de testemunhas.

Em publicação, Brandão classificou as informações atribuídas a ele como falsas e afirmou estar sendo perseguido.

“Falsas acusações não cabem a quem não tem culpa. Vê-se a reedição do roteiro de um assassinato e muitas outras inverdades sendo propagadas contra mim”, declarou.

O governador relacionou o episódio a uma perseguição que, segundo sua versão, teria começado em 2024, depois que rejeitou o que chamou de “propostas indecorosas”. Brandão também questionou a atuação de responsáveis pela investigação e pelo julgamento dos casos.

“Não há sigilo nesses perseguidores para inventarem tantos absurdos, mas devia haver impedimento de julgar quem é tratado como adversário”, afirmou.

Ao final da manifestação, disse acreditar que as apurações esclarecerão os fatos. “Tenho confiança de que a verdade prevalecerá.”

As declarações ocorreram após o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de dois inquéritos envolvendo investigações sobre suspeitas de corrupção no Maranhão, organização criminosa, obstrução da Justiça e coação de testemunhas.

Nos elementos apresentados pela Polícia Federal, Brandão é apontado como possível integrante do núcleo de comando de uma organização suspeita de atuar no desvio de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

A própria decisão que tornou públicas as informações, entretanto, ressalta que as investigações ainda estão em andamento e que os elementos reunidos até o momento não representam conclusão definitiva sobre a ocorrência de crimes nem sobre autoria ou participação dos investigados.

Outro eixo da investigação alcança o assassinato de João Bosco Sobrinho Pereira de Oliveira, ocorrido em agosto de 2022. A Polícia Federal trabalha com a hipótese de que o homicídio tenha acontecido em meio a uma disputa relacionada a pagamentos supostamente ilícitos.

Gilbson César Soares Cutrim Júnior, posteriormente condenado pelo assassinato, é apontado pelos investigadores como operador do suposto esquema. A PF também cita Daniel Itapary Brandão, sobrinho do governador, ao descrever os acontecimentos anteriores ao crime.

Segundo a investigação, Daniel teria participado de uma reunião realizada antes dos disparos. Os investigadores sustentam ainda que Gilbson mantinha interlocução com Daniel e com Carlos Brandão.

A apuração avançou também sobre acontecimentos posteriores ao homicídio. A PF investiga se houve uma articulação para interferir nas investigações e fazer com que testemunhas modificassem as versões apresentadas às autoridades.

Nesse ponto aparece o nome do ex-secretário Raimundo Soares Cutrim. Ele é apontado pela investigação como interlocutor da família Brandão e, conforme depoimentos reunidos pela Polícia Federal, teria procurado familiares de Gilbson depois do assassinato e participado de tratativas relacionadas à alteração de relatos apresentados à polícia.

A investigação cita ainda pagamentos em dinheiro que, segundo depoimentos colhidos durante a apuração, teriam alcançado R$ 160 mil.

Em outra frente, a Polícia Federal apura possíveis desvios de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Entre os elementos identificados estão notas fiscais emitidas em nome de Carlos Brandão que, segundo os investigadores, teriam informações de contato coincidentes com aquelas utilizadas por uma empresa beneficiada com recursos públicos.

O material integra a linha de investigação sobre a possível existência de uma estrutura organizada para direcionar e desviar recursos. É nesse contexto que a PF apresenta Brandão como “provável líder” do grupo investigado.

O senador Weverton Rocha (PDT-MA) também aparece nos autos. A investigação apura uma possível atuação do parlamentar para dificultar o avanço das apurações relacionadas ao assassinato de João Bosco. Weverton rejeita qualquer participação nos fatos e afirma que os contatos citados pelos investigadores decorreram de sua atividade institucional como senador.

A defesa de Raimundo Cutrim informou que ainda não teve acesso à íntegra dos autos e que conhece apenas as informações divulgadas pela imprensa. O ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins, também mencionado no contexto das apurações, informou que não comentará o caso.

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