
O sargento da Polícia Militar do Maranhão Antonio James Mota da Silva, afastado do cargo de secretário municipal de Segurança de Barra do Corda após a divulgação de áudios em que defende a prisão de eleitores do PT, afirmou que as declarações foram feitas em tom de brincadeira. Em manifestação divulgada nesta sexta-feira (23), o militar reconheceu a autoria das gravações, mas sustentou que as mensagens faziam parte de conversas informais em um grupo de policiais militares no WhatsApp.
Segundo James Mota, o grupo reúne sargentos da Polícia Militar de diferentes regiões do Maranhão, com posicionamentos políticos distintos. Ele afirmou que as discussões envolviam provocações recíprocas entre apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do ex-presidente Jair Bolsonaro. O militar admitiu ter utilizado expressões inadequadas, mas negou que pretendesse perseguir adversários políticos ou interferir na liberdade de voto.
Nas gravações divulgadas nas redes sociais, o então secretário incentiva policiais a prender apoiadores do PT e afirma que essas ações poderiam provocar medo entre outros eleitores. Em uma das mensagens, declara que a prisão de um petista na cidade ou em um povoado serviria para intimidar os demais. Em outro trecho, classifica integrantes do partido como inimigos da polícia e da sociedade.
O sargento também relata ter abordado pessoas que distribuíam material de campanha de Lula nas proximidades de escolas de Barra do Corda durante o primeiro turno das eleições. As mensagens incluem referências à atuação de policiais da ativa e da reserva, além de uma manifestação de outro participante do grupo sugerindo o envolvimento da Guarda Municipal em eventuais prisões.
Ao comentar o conteúdo das gravações, James Mota afirmou que suas referências a detenções estavam relacionadas exclusivamente a situações previstas na legislação eleitoral, como compra de votos e propaganda irregular. Segundo ele, a intenção era estimular a fiscalização do pleito, e não promover ações contra eleitores em razão de suas preferências partidárias. O militar também negou ter utilizado sua posição na administração municipal para favorecer ou prejudicar candidatos.
A repercussão dos áudios levou o prefeito de Barra do Corda, Rigo Teles (MDB), a determinar o afastamento temporário do secretário na quinta-feira (22), até o encerramento das eleições. O governador Carlos Brandão (MDB) também anunciou o afastamento do sargento, que estava cedido à prefeitura, e determinou a apuração de sua conduta no âmbito da Polícia Militar.
Em nota, a Prefeitura de Barra do Corda afirmou repudiar manifestações contrárias à democracia e ao livre exercício do voto. A administração municipal informou ainda que colaborará com as autoridades eleitorais para garantir a normalidade da votação.
O Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão (TRE-MA) comunicou o caso à Polícia Federal para investigação. A informação foi confirmada nesta sexta-feira pelo corregedor eleitoral Sebastião Bonfim, após a circulação das gravações nas redes sociais.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, também apresentou uma notícia-crime ao Ministério Público Eleitoral. A representação solicita a apuração de possíveis crimes eleitorais, a realização de perícia nos áudios e a identificação dos participantes das conversas. O documento pede ainda a verificação de eventuais abordagens ou detenções de eleitores relacionadas às atividades de campanha.