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O ÓRGÃO DAS MULTIDÕES

Em depoimento na SHPP, empresário nega ter mandado assassinar ex-esposa e a filha dela

Segundo as investigações, ele teria pagado R$ 5 mil a pedreiro para cometer o crime, e depois atear fogo nos corpos

Talita e Graça Maria foram mortas no último dia 07 de junho (Foto: Divulgação)

Na tarde de ontem (24), durante interrogatório na Superintendência de Homicídios e Proteção à Pessoa (SHPP), o empresário Geraldo Abade Souza, apontado pela Polícia Civil como mandante do duplo feminicídio que vitimou sua ex-mulher e a filha dela, negou participação no crime. Os corpos de Graça Maria Pereira de Oliveira, de 59 anos; e da jovem Talita Frizeiro de Oliveira, 27, foram encontrados por familiares na casa delas, dentro de um carro enrolados em lençóis, no bairro Quintas do Calhau, no começo deste mês.

Geraldo chegou à sede da SHPP, na Avenida Beira-Mar, por volta das 16h30 de ontem, após ter sido recambiado da cidade de Imperatriz, onde foi preso no sábado (20). Acompanhado dos advogados, ele foi ouvido pela delegada Viviane Fontenele, que chefia o Departamento de Feminicídio, da SHPP.

De acordo com Viviane, depois de interrogado, Geraldo foi encaminhado ao Centro de Triagem de Pedrinhas, onde cumprirá o mandado de prisão temporária expedido pela Justiça.

“Essa prisão tem duração de trinta dias e é exclusiva para investigação. Ao final desse prazo, a autoridade policial pode pedir mais trinta dias ou a conversão em prisão preventiva”, explicou.

Na segunda-feira (23), a delegada informou à imprensa que o crime já estava elucidado e todos os envolvidos presos. O executor, que trabalhava como pedreiro em uma obra ao lado da casa das vítimas, confessou ter matado mãe e filha por R$ 5 mil e, também, que teria sido contratado pelo ex-marido de Graça Maria.

Além do executor, o homem que atuou como intermediador entre o mandante e o autor do crime, foi capturado no bairro do Jaracati, mas negou envolvimento. Ambos não tiveram seus nomes divulgados e permanecem presos.

A motivação do crime, segundo os levantamentos da Polícia Civil, seria uma disputa de bens entre o empresário e sua ex-mulher, que foram casados por 15 anos e estavam separados há cinco. Graça já havia sido contemplada com decisões favoráveis a ela como, por exemplo, a posse exclusiva de uma das empresas e de um terreno no interior do estado, fato que não era aceito por Geraldo.

O CRIME

No dia 7 de junho, mãe e filha foram encontradas mortas, dentro do carro da família, na garagem da casa em que moravam. O crime ocorreu um dia antes, e, conforme a Polícia Civil, foi cometido a mando do exmarido de Graça e executado por um pedreiro de uma obra, localizada ao lado da casa das vítimas.

Segundo a delegada Viviane Fontenele, o homem era conhecido da família, tendo livre acesso ao imóvel da empresária; e, por isso, entrou na residência sem levantar qualquer suspeita de que cometeria o crime.

Em depoimento, o autor das mortes deu detalhes à polícia sobre o dia do crime e como ocorreram os assassinatos das duas. De acordo com o pedreiro, na manhã de sábado (6), um dia antes de elas serem encontradas por familiares, ele entrou na residência pedindo à própria Graça que abrisse o portão, como de costume.

Na ocasião, assim que entrou, ele já amarrou e amordaçou a vítima. Ao terminar a ação com a mãe, a filha dela se aproximou e ele agiu da mesma forma. Graça foi levada para o banheiro do quarto e a filha deixada na sala, conforme relato do autor à polícia. O homem retornou à obra e voltou depois que não tinha mais ninguém trabalhando no local.

Já na residência, de acordo com a delegada, o pedreiro teria estrangulado Graça ainda no quarto; e, em seguida, a levou para dentro do automóvel que estava estacionado na garagem das vítimas. No caso de Talita, a morte ocorreu dentro do carro e, além de asfixiada, ela também foi atingida com uma viga de ferro na cabeça.

“O pedreiro contou que fez isso porque a jovem estava custando muito para morrer”, concluiu Viviane Fontenele.

A Polícia chegou até a identidade do autor rastreando um dos celulares das vítimas, que foi levado por ele após o crime e havia sido vendido a uma pessoa no bairro da Divineia, em São Luís.

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